
Quando minha querida Diva Tata Corleone foi tragicamente eliminada no paredão do Carnaval, eu realmente vivi uma quarta-feira de cinzas. Sua eliminação era algo esperado, infelizmente, e não vou entrar na discussão de por que o Brasil é incapaz de aceitar que mulheres bonitas e inteligentes sejam grandes jogadoras em um reality show que é, antes de qualquer coisa, um JOGO. Eu compreendo as razões pelas quais ela saiu. Não concordo, mas respeito a opinião da maioria, bem diferente da minha e de muitos outros. Minha aflição maior, fora a tristeza de ver minha favorita fora da corrida pelo prêmio, era perceber que a corja liderada por Maumau permanecia no programa apesar de toda a hipocrisia que passara a reinar desde seu retorno. Grande parte da minha revolta residia em mim própria, que votei para que ele voltasse, nunca imaginando que esse retorno tomaria os rumos que se seguiram semana a semana, com a tortura gradual sobre Maria e a perseguição descabida a Natalia e aliados. Maumau se aliou a Rodrigão, que até então se mostrava um bom rapaz, planta, mas digno, e a Diogo, que recuperou toda sua hiperatividade até então reduzida a uns 40%. Até aí tudo bem, pois não passava de uma panela, um trio de patetas com prepotência suficiente para cantarolar uma final que incluía nada além do que eles mesmos.
Mas então Diogo saiu, em uma jogada de mestre que incluiu um comentário feliz de Tata Corleone para Plantaína, comentário esse que, proposital ou não, mudou a trama dos patetas e abriu espaço para novos recrutas. O alívio pela saída do gago durou tão pouco para mim quanto a suposta tristeza de Maumau, que há muito já havia trocado o grande amigo pelo favorito Rodrigão, osso duro de roer nos paredões. Jaqueline, que até então era preta, preta pretinha, passou a rodear o assento vazio do gago e assumiu o lugar no trio com total aprovação de Maumau e Rodrigão: razão? A passista não era um dos “sete”, o amaldiçoado time dos sete que Maumau jurou exterminar, um por um. Das pretas, Jaque era a favorita dos rapazes por enxergar a “nobreza” de Maumau; Maria, que não fazia parte dos “sete”, era elemento neutro enquanto servisse aos propósitos desenhados por Maumau para ela: fazer com que ele fosse a vítima da traição inexistente e galgasse o cobiçado espaço de genro de Bial, ainda que daquela fruta de programa ele jamais fosse provar. E Talula, que não tinha a aprovação nem de um nem do outro, como membro do grupo dos sete era um alvo em potencial, a ovelha negra entre os muy amigos. Jaque de um lado, Maria do outro, Talula desarmada: dessa forma, Maumau estava oficialmente desestruturando as pretas.
Mas é certo que Maumau não contava com duas coisas: a primeira, que a amizade entre Maria e Talula era mais forte do que o suposto amor-carência que ela sentia por ele. Diferente de Jararaque, Maria não trairia uma amizade NEVER; a segunda, que a suposta desarmada Talula era na verdade Tata Corleone, poderosa Xepona e Dona de Jogo. A mesma Tata que tentou levar Michelly ao paredão para salvar Maumau na segunda semana, que articulou para salvar Rodrigo e Maria, Dani, Diana, Wesley, Maria mais uma vez, e salvou várias dessas pessoas, assim como a si própria, sem ser anjo uma única vez. Jogadora para poucas cabeças compreenderem, Talula se lançou no mundo louco que é a nobreza de Maumau e leu suas intenções a fio. A Dona do Jogo saiu do programa, mas não sem antes repassar sua herança às pessoas necessárias. Daniel e Maria, seus herdeiros diretos leram o testamento a fio e não decepcionaram em momento algum, exceto pela não-indicação de Maumau por parte do próprio Dani, indicação que o teria salvado do paredão e talvez salvasse a própria Tata Corleone. Enfim, a vida quis que assim não fosse, provavelmente porque precisava que a Mafiosa-Mó estivesse aqui fora para rir de uma vitória que não a incluía fisicamente, mas era o próprio reflexo de sua influência. Com sua saída, a casa se dividiu e Paula, falsa dos infernos, se vendeu para o grupo que considerava vencedor da edição. De um lado os meus favoritos (Dani, Maria, Diana e Wesley) e do outro, o quarteto mais inacreditável que um BBB já teve a oportunidade de aturar (Maumau, Rodrigão, Jaqueline e Paula). Entre encoxadas e risos falsos da hipocrisia e covardia, o grupo brindou à grande final mais uma vez. E estavam certos, era fim de jogo, mas não o fim que esperavam.
A cabeça principal da Hidra foi a primeira a rodar. Maumau saiu com rejeição recorde de 63% e deu sorte por Diana estar no paredão, ou a rejeição teria sido maior. De brinde, saiu com o tão almejado chifre plantado por Maria e Wesley, em grande estilo. Jaqueline na sequência, outra sortuda que não encarou um número justo a sua traição por estar emparedada com outro membro de seu clube enfadonho. 63 % para mostrar que estava no rastro. Paula? Não seria diferente. Após o combo, meu coração parecia um pouco mais aliviado. Contudo, havia uma última questão.
E Rodrigão? Dono da maior torcida virtual do BBB, popular pela sua beleza... O Mister que começara tímido, prejudicado pelo fardo de ser sabotador quando ninguém sequer sabia o que era aquilo, quieto, planta pelo resto do programa por talvez nunca superar o trauma inicial, ganhador de 14 votos em dois paredões... Do quarteto, era sem dúvida o menos pior, mas havia mostrado o pior de si ao desprezar sua ficante, cair na pilha de Maumau, exibir um lado machista bem ocultado provavelmente por conveniência... Fora um dom de julgar os outros como se não houvesse espelhos suficientes na casa que apontassem para seus próprios defeitos. Herança ou não de Maumau, influência, pilha, o que seja, tudo aquilo transformara Rodrigão aos olhos do público graças a eloqüência digna de Boninho e Bial em mostrar ao povão o que nós, sofredores do PPV, agüentávamos dia após dia. A dúvida era se aquele colosso de beleza e pose poderia ser derrotado, particularmente em um paredão que incluía uma pessoa que também apresentava alguma rejeição por parte do público, Diana.
E o que muitos aguardavam há vários paredões enfim ocorreu: o Colosso caiu. Seu Império mostrou-se tão virtual quanto as virtudes a fim de manter a ilusão de que Rodrigão ainda era o grande favorito. Não, não o era mais. O falso galã da novela das 23h caiu com 51% por sorte de não ter enfrentado Wesley no lugar de Diana, ou correria o risco de vazar no rastro dos 63% como os demais. Na net, os adoradores apontavam para a manipulação do resultado, respaldando-se em enquetes que eles mesmos ajudaram a adulterar. Parte da torcida, tão prepotente quanto seus ídolos, chegou a demonstrar um sentimento homofóbico assustador em relação a Diana e Daniel, atitudes e palavras que não apenas me deixaram horrorizada, como me fizeram ter grande repudio e nojo, pois imagino eu que nem mesmo Rodrigão aprovaria tais demonstrações de preconceito e se sentiria envergonhado em ver tanto ódio falando pelo seu nome.
Para mim, ficaram alguns sentimentos. Sentimento de quem chegou a gostar do jeito discreto do Rodrigão do início, de quem votou para Maumau retornar ao jogo. Sentimento de quem viu sua favorita deixar o reality cedo demais, de quem aturou o inaturável. Em um primeiro momento, uma sensação de alívio, simplesmente alívio. Sem surtos (queimei todos os cartuchos na eliminação de Maumau) ou reações insanas, apenas um respirar fundo e aquela sensação de paz. Sensação de justiça pela eliminação de Tata Corleone? Sem dúvida, Tata Corleone foi vingada em grande estilo, essa sede eu não tenho como negar, é coisa de fã! Mas nada compensa o sentimento de FÉ em ver que foi o povo quem tirou, um por um, a corja da prepotência. Não foi somente minha torcida, ou a sua. O Brasil, com seus defeitos e virtudes, mostrou que para tudo tem limite e que beleza nem sempre põe mesa. Em um BBB onde os participantes mostraram ter defeitos, ficaram aqueles que ao menos apresentam grandes virtudes. Meu coração de Corleone dói por não ver Tatá entre eles, mas sei que ela deve estar sorrindo por ver que entre os 4 finalistas, estão 4 pessoas que ela considerou e defendeu como pessoas do bem. Em algum lugar sob o arco íris do BBB 11, construiu-se pela primeira vez uma final que, se não é perfeita, é digna de muitas palmas...